Combater o avanço fascista e a conciliação de classes!

No domingo (08/01), fascistas e demais variações da extrema direita – contando com vasto setor de seguidores de Bolsonaro – promoveram atos de destruição generalizados em Brasília, com ataques às sedes do STF, do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, destruindo obras de arte e mobiliário desses prédios. Também há indícios de ações de sabotagem e planejamento de ocupação de refinarias. As ações contaram com a proteção de parte do aparato de segurança do Estado e foram estimuladas por Bolsonaro, lideranças da extrema direita e dos religiosos neopentecostais.

Desde o fim das eleições burguesas, em 2022, assistimos a uma onda de movimentações golpistas no país, com trancamento de rodovias, atos e acampamentos em frente aos quartéis — financiados e com organização logística e política de militares, empresários do agronegócio e de diversos setores da burguesia. Tais intenções golpistas são fruto de uma aguda crise política, econômica e social em vigência internacionalmente.

É evidente que integrantes do agronegócio, do extrativismo predatório (garimpo principalmente), o partido fardado (altos oficiais militares), diversos setores da burguesia (nacional) e os políticos golpistas estão por trás dessa tentativa de golpe, com o objetivo de fortalecer os aspectos ainda mais reacionários do Estado brasileiro. Não se trata apenas de “atentado contra o Estado”, mas da ação, em grande parte, de integrantes do próprio Estado brasileiro (principalmente as forças policiais, judiciárias e militares), visando à construção de um regime reacionário e completamente favorável ao total avanço e manutenção das políticas neoliberais — políticas de destruição de direitos sociais e trabalhistas, conquistados através de muita luta popular.

Apesar de não contarem com apoio de nenhum governo das potências globais, os riscos da ação da extrema direita representam uma ameaça física aos movimentos populares e a possíveis interferências na correlação de forças políticas. O fascismo é o Estado capitalista mais reacionário em germe, movimento ou regime. Fica cada vez mais claro que a luta antifascista e a autodefesa são necessidades permanentes dentro das organizações da classe trabalhadora. É imprescindível avançar na construção dessas ferramentas para a defesa dos avanços históricos de nossa classe, sobretudo, no que diz respeito à luta de trabalhadores/as negros/as, indígenas, lgbtqia+, mulheres e demais setores oprimidos.

CEGUEIRA DO CANTO DA SEREIA: AS ELEIÇÕES COMO CRENÇA NA DERROTA DA EXTREMA DIREITA

O governo Lula, em seu terceiro mandato, nasce pressionado pelos movimentos de extrema  direita e pelo discurso chantagista do mercado financeiro e de seus asseclas, fazendo alianças abertas com setores da direita e evitando se comprometer com revisões mais amplas aos ataques dos últimos governos aos direitos e às condições de vida do povo.

Ao mesmo tempo, a ação da extrema direita parece provocar quase todo o espectro político de esquerda para um pacto com o liberalismo, com o lulismo e o republicanismo burguês da centro direita, alimentando a crença de que as instituições por si só dariam conta do problema. Nessa perspectiva, a legalidade, a democracia burguesa, o respeito à propriedade privada se tornam “valores universais”, não sendo passíveis de discussão. Os riscos de fortalecimento de um discurso liberal e burguês, com certo tom moralista e conservador, são o de criar um cenário de futura criminalização de grevistas e manifestantes populares que aderirem às táticas de ação direta e exigirem direitos pela luta popular combativa e com independência de classe.

Circulam, no campo progressita, discursos de alguns setores do reformismo e do lulismo no sentido de “não ser o momento para uma greve” ou de condenar qualquer tipo de movimentação mais radicalizada, como cobranças em relação ao fim das contrarreformas aprovadas do período de Temer ao de Bolsonaro, assim como o avanço para novas conquistas. A reação à paralisação dos/as trabalhadores/as de aplicativos é um exemplo disso. Tais discursos parecem ignorar risco de radicalização reacionária por parte da extrema direita – uma tendência que se acentuou desde o fim das eleições de 2022.

A aparente derrota tática do bolsonarismo nesse evento fatídico em Brasília, na realidade, esconde que há um planejamento em curso e uma preparação para um combate prolongado pelo partido fardado durante o governo que se inicia. O partido fardado detesta as mínimas conquistas populares e possibilidade de retirada de seus privilégios e, por isso, seguirá, junto a setores da burguesia, alimentando a extrema direita golpista. 

O resultado das eleições, a tomada de posse por Lula, as ações do judiciário federal e os discursos promovidos pelas mídias não podem ser encarados como o avanço para a derrocada das intenções da extrema direita nacional e, muito menos, internacional. O jogo de interesses do próximo período ainda segue em grandes disputas pelos detentores de poder e de privilégios que o próprio Estado garante. Os métodos da conciliação de classes não serão os mesmos que ocorreram na primeira década de governo do PT.

O PRÓXIMO PERÍODO NECESSITA DE ORGANIZAÇÃO E LUTA POPULAR

Entendemos que temos várias tarefas para o período e elas devem ser construídas junto aos setores políticos que acreditam na auto-organização da classe trabalhadora e oprimida, forjada com independência de classe e protagonismo popular. Nesse sentido, fomos às ruas para combater o golpismo e o fascismo, assim como pautar questões que são importantes para as lutas sociais que devem continuar a serem travadas em cada parte do território brasileiro.

Nós, anarquistas organizados, seguiremos nas ruas, nas lutas sindicais e em cada local de trabalho, nas lutas nos locais de moradia, estudo… Seguiremos com a convicção de que somente por meio da organização da classe trabalhadora e oprimida, com uma orientação revolucionária, poderemos conquistar melhorias para nosso povo. Não devemos compactuar nem cair no engessamento das lutas populares combativas. Por isso, devemos retomar as ruas pela esquerda, com bandeiras em defesa dos direitos sociais, exigindo a anulação dos ataques às condições de vida da classe trabalhadora, não tolerando nenhuma ação golpista. Precisamos denunciar o partido fardado, a burguesia urbana e rural envolvidas na organização dessa ação golpista.

A construção da autodefesa e a segurança militante passa pela ação dos movimentos populares, sindicatos e espaços de luta organizados, que, com agenda própria, também precisam apontar os limites da conciliação de classes lulista com a direita e a desmobilização das ações legítimas da classe trabalhadora (greves, paralisações, piquetes) por direitos sociais. O combate ao golpismo e ao fascismo passa, portanto, pela construção de um campo político mais à esquerda, com independência de classe e  formado por setores críticos à conciliação de classes, tendo a ruptura com o sistema capitalista como orientação finalista e estratégica.

Pela construção do Poder Popular

Pelo Socialismo Libertário

Combater aos de cima com ação direta popular revolucionária!

COMPA
FARJ
Rusga Libertária
OASL

Janeiro de 2023

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