O protagonismo das trabalhadoras na Greve Geral de 1917

A Greve Geral de 1917, em São Paulo, impôs a força da classe trabalhadora sobre os poderosos, ameaçou tomar o poder e conquistou melhorias imediatas para o povo que trabalhava nas fábricas em condições terríveis. Esse momento histórico teve as mulheres trabalhadoras na linha de frente, que foram essenciais para as conquistas que vieram.

As mulheres eram minoria nas fábricas, mas no setor têxtil superavam o número de homens. E foram as tecelãs do Cotonifício Crespi, na Mooca, as primeiras a cruzarem os braços, em junho de 1917. O movimento ganhou enormes proporções nas semanas seguintes, com greves em várias fábricas da cidade, tendo seu ápice em julho, com a visão das revolucionárias e revolucionários que greves pontuais não eram suficientes, e uma verdadeira greve geral era necessária para enfrentar Estado e patrões.

Organizadas/os no Comitê de Defesa Proletária, trabalhadoras e trabalhadores exigiam jornada de trabalho de 8 horas por dia (com meio expediente aos sábados), fim da exploração do trabalho de menores de 14 anos, fim do trabalho noturno para mulheres e crianças, aumento salarial de 25%, direito de greve e reunião, redução de preços de alimentos, entre outras questões.

Também eram pautas naquelas greves operárias a igualdade salarial entre homens e mulheres, licença depois do parto e o fim de abusos e assédios cometidos por encarregados contra as operárias.

As fotos dos comícios da época exibem poucas mulheres. Além do trabalho fabril, elas ainda se dedicavam ao trabalho reprodutivo em casa. Contudo, milhares de anônimas se mobilizaram naquelas semanas de 1917. Uma das principais figuras daquele período foi Maria Angelina Soares, tecelã e anarquista, que foi secretária da Liga Operária da Mooca e uma das fundadoras do Centro Feminino de Jovens Idealistas. Em artigo escrito em maio daquele ano, Angelina falava sobre a impossibilidade de emancipação sem a libertação da mulher do patriarcado:

“Os homens que mais desejam a libertação da mulher e que têm trabalhado para emancipá-la são aqueles que pensam e sabem que é impossível o homem emancipar-se do regime capitalista–autoritário sem a mulher estar emancipada física e moralmente da tutela masculina”

Destacamos ainda a atuação de Maria Antônia Soares (irmã de Angelina), secretária da Liga Operária do Belenzinho. Ela também contribuía para a imprensa operária e anarquista, além de ter integrado um comitê para combater a superexploração do trabalho infantil naquele ano de 1917. Vale lembrar que as denúncias contra o trabalho infantil eram fundamentais, uma vez que as crianças trabalhavam tanto quanto os adultos, recebiam salários menores e sofriam com a violência patronal.

O resgate histórico nos mostra que, junto às reivindicações específicas das mulheres operárias, as anarquistas trabalhadoras afirmavam a todo momento sua identidade de classe, atuando ombro a ombro com seus companheiros e colegas de trabalho, em busca da emancipação frente ao Estado e ao Capital.

Em memória dessas trabalhadoras da Greve de 1917, rendemos nossa homenagem!

VIVA O DIA INTERNACIONAL DA CLASSE TRABALHADORA!
VIVA AS MULHERES TRABALHADORAS!

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s