Primeiro de Maio: uma proposta anarquista para superar a crise

Nos últimos dias, temos acompanhado o agravamento das muitas crises que assolam a população trabalhadora em meio ao coronavírus. No atual estágio de pandemia, que recentemente atingiu a marca de 400 mortes diárias (número que pode ser bem maior devido às subnotificações), o presidente confraterniza com manifestantes que pedem intervenção militar, prega o fim do isolamento social, a reabertura do comércio e não mobiliza recursos para a compra de testes, respiradores, máscaras e outros suplementos essenciais para a prevenção, diagnóstico e tratamento dos infectados.

É importante lembrar que o atual cenário catastrófico já podia ser vislumbrado antes da pandemia, pois há tempos os trabalhadores sofrem duros ataques A seus direitos como no caso da Reforma Trabalhista, que abriu caminho para a precarização do emprego, e recentemente, a Reforma da Previdência, que estabeleceu o fim da aposentadoria para milhões. A este quadro soma-se a chamada “uberização” do trabalho, que cresce exponencialmente diante do desemprego. Por trás de um discurso em prol do “empreendedorismo”, esconde-se uma realidade cruel de longas jornadas de trabalho, baixas comissões e altos custos para o trabalhador.

Frente a essa situação o governo federal apresentou um programa de Auxílio Emergencial no valor de R$ 600 reais mensais para desempregados/as e autônomos/as. Enquanto isso destinava R$ 1,2 trilhão para o “salvamento” dos bancos, dos grandes empresários e dos especuladores financeiros. Tal quantia equivale a 20 vezes o valor total que foi destinado ao programa de auxílio à população. Para os ricos o dinheiro foi liberado sem demora ou entraves, já para a população os depoimentos relatam dificuldades no cadastramento, demora na análise e no repasse do dinheiro. No ápice da pandemia, uma parcela gigantesca do nosso povo encontra-se precarizada ou desamparada. Essa é a política de Bolsonaro para os trabalhadores e trabalhadoras.

Entendemos que para transformar essa realidade devemos nos organizar. Por isso, neste Primeiro de Maio — dia de luta da classe trabalhadora —, nós, anarquistas especifistas, defendemos um conjunto de reivindicações e ações políticas para derrotar os governos, os patrões e superar a crise que nos aflige:

1) Construir uma frente da população oprimida contra os governos e os patrões!

• União dos/as trabalhadores/as por local de trabalho e moradia!
• Fortalecer o surgimento de assembleias, conselhos populares e redes de solidariedade entre o nosso povo!
• Ação direta, através da luta popular! A mudança não virá pela via eleitoral!

2) Anulação, por meio da pressão popular, de todas as medidas do governo e do congresso que geram miséria e precarização para o povo:

• Revogação da Reforma da Previdência, que acaba com a aposentadoria dos trabalhadores!
• Revogação da Reforma Trabalhista, que acaba com os direitos adquiridos pela CLT!
• Revogação da Emenda 95 (PEC da morte), que congela o investimento público por 20 anos!

3) Construir uma pauta de reivindicação mínima para o enfrentamento da crise e a manutenção de uma vida digna:

• Suspensão e auditoria do pagamento da dívida pública, que beneficia apenas os banqueiros e especuladores financeiros! Destinar os recursos necessários à saúde e à renda da população nesse momento de crise!
• Taxação sobre lucros e dividendos do grande empresariado, dos especuladores e dos acionistas financeiros!
• Controle público das principais empresas do setor estratégico (petróleo, mineração, comunicação, saúde, educação, ciência e tecnologia)!
• Contra as demissões! Punição aos empregadores que expuserem trabalhadores ao risco do vírus ou demitirem durante a pandemia.
• Proibição do corte de água, luz, gás e qualquer outro serviço essencial.
• Garantia de uma renda de 2 salários mínimos para os trabalhadores/as desempregados/as ou autônomos/as. Responsabilização das empresas de aplicativo pelo bem estar de seus/suas trabalhadores/as. As empresas devem oferecer suporte econômico e de saúde.
• Adoção de medidas de prevenção e de cuidados médicos para a população carcerária.
• Abertura dos hotéis, galpões e áreas públicas cobertas para população de rua e sem-teto, como forma de contribuir para o controle do vírus, e garantir a higiene e o acesso a saneamento básico a essas pessoas.

Acreditamos que essas medidas não serão aplicadas por um governo neoliberal e protofascista como o do Bolsonaro, nem mesmo por qualquer governo eleito de direita ou de esquerda.

Tais medidas só poderão ser conquistadas a partir da organização dos próprios trabalhadores no sentido da construção do poder popular!

DEFENDER A TRADIÇÃO DE LUTA E DE RESISTÊNCIA DO NOSSO POVO!
VIVA O PRIMEIRO DE MAIO!
VIVA A CLASSE TRABALHADORA!

Organização Anarquista Socialismo Libertário
1º de maio de 2020

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